Zen noção

Nosso trabalho não é “zen”*. Nossos alunos e instrutores são engenheiros, advogados, médicos, arquitetos, cientistas, universitários, artistas plásticos, escritores, intelectuais e atletas. Nenhum deles é adepto de seitas ou modismos “zen”. Atuamos com profissionalismo, pagamos nossos impostos, participamos de ações sociais e estamos inseridos na sociedade como qualquer outra pessoa. Basta olhar – sem preconceito! – para um dos nossos praticantes e constata-se que ele não tem nada de “zen”. Aliás, todos nós lamentamos a desinformatite quando lemos uma matéria reportagem ou entrevista e encontramos alguma referência discriminatória que nos classifica aleatoriamente como “zen” sem que tenhamos dado motivo algum para essa generalização.

Em novembro de 2005 um importante jornal carioca noticiou que o restaurante Doce Delícia, do Leblon, estaria inserindo no cardápio um prato intitulado Strogonoff DeRose. Sem mais pensar a respeito, quem compôs o texto passas a declarar: O Strogonoff Zen (que leva parmesão, mozarela e provolone ao molho cremoso de tomate, noz-moscada, champignon e palmito) foi criado em homenagem a Mestre DeRose [...]”. De onde o estimado jornalista tirou a qualificação “zen”? Será que era por causa do queijo parmesão, da mozarela, ou do provolone? Será que era o molho de tomate, o champignon, o palmito? Ou será que era por ser em homenagem ao Mestre DeRose, que tem seu nome associado ao Yôga e o redator já havia decidido que sendo Yôga tem que ser “zen”e está acabado?

Na mesma semana, a maior revista do país publicou sobre nós uma belíssima reportagem que começa assim: “O agito na Praia de Ipanema vai abrir espaço para uma prática zen { …}”. Como assim? Não era uma prática “zen”! Era uma prática de SwáSthya Yôga, a modalidade mais avessa a atitudes estereotipadas e a comportamentos esquisitoides.

Na mesma semana, um dos mais importantes jornais de São Paulo publicou a matéria intitulada Yôga com Elegância, a respeito de um livro meu. A matéria foi bem escrita e extremamente simpática. Mas…quando menos se espera, saído do nada, leio “Yôga são boas maneiras, simplifica o Mestre DeRose, ao ser perguntado {…} sobre o que, afinal, o milenar sistema filosófico e ritualístico indiano tem a ver com etiqueta”. Como assim ritualístico? De onde saiu essa dedução? Eu não disse nada que pudesse induzir a tal interpretação, nem encontrei essa palavra em nenhum dos meus 25 livros. É que sendo Yôga cai imediatamente na caixa preta, num drive com defeito de formatação.

Tudo isso ocorreu na mesma semana, e três das mais importantes publicações do país, escritas pelos mais informados jornalistas. Conclusão: é preciso fazer alguma coisa, é urgente tomar alguma providência para esclarecer a opinião pública de que o Método DeRose, não tem nada de “zen” e não se encaixa em nenhum estereótipo ou modismo contemporâneo.

*Zen é a denominação de uma variedade do budismo especialmente desenvolvido no Japão. Não tem nada a ver com o Yôga nem com a Índia. Budismo é uma religião. Yôga é classificado como filosofia. Se analisarmos por esse lado já percebemos que é um equívoco qualificar o Yôga como Zen. Contudo, se quisermos invocar a gíria que denomina “zen” qualquer coisa que seja oriental, estranha, naturéba, alienada, caricata, pior ainda, pois os praticantes de SwáSthya Yôga são gente culta, bem ajustada, saudável e dinâmica.

Texto estraído do livreto Zen noção do Comendador DeRose

Esta entrada foi publicada em Comportamentos, Textos. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>