Mudrá – Gesto reflexológico feito com as mãos

Mudrá é a linguagem gestual. Deve ser pronunciado sempre com a tônico. Significa literalmente gesto, selo ou senha. Provém da raiz mud, alegrar-se, gostar. Em alguns livros aparece traduzido como símbolo, mas isso não está correto. Símbolo é a tradução da palavra yantra. Em Yôga, mu­drá designa os gestos feitos com as mãos. São definidos como gestos re­flexológicos por desencadear uma sucessão de estados de consciência e mesmo de estados fisiológicos associados aos primeiros.

Um tipo de Yôga moderno, o Hatha, surgido no século XI d.C., ad­mite gestos feitos com o corpo (yôga mudrá, mahá mudrá, vajrôli mu­drá, viparítakaraní mudrá), mas essa interpretação parece não concor­dar com as correntes mais antigas. Aliás, se perguntarmos a um ins­trutor de Hatha qual é a diferença entre um ásana (técnica corporal) e um mudrá feito com o corpo, a explicação não vai convencer. A justi­ficativa menos confusa, mas nem por isso correta, é a de que os mu­drás compreendem mentalização! Ora, como você estudará no subtí­tulo Regras Gerais, no capítulo Ásana, esta técnica só é considerada completa e perfeita se incluir mentalização. Portanto, ficamos sem po­der classificar o que os yôgins daquele ramo moderno denominam “mudrá feito com o corpo”.

Mudrá tem sua origem na ancestral tradição tântrica. Como afirma Shivánanda, a presença de mudrá, pújá e mantra, caracteriza herança dos Tantras. Devemos recordar que o Swásthya Yôga tem sua prática básica iniciando-se exatamente com esses três angas. E não é à toa: o nome completo da nossa linhagem é Dakshinacharatántrika-Niríshwa­rasámkhya Yôga.

Shiva mudrá, para meditação (dorso da mão positiva pousa so­bre a palma da mão negativa).

Neste mudrá devemos sentir nossas mãos como um cálice no qual recebemos a preciosa herança milenar de força e sabedoria. Amplifica nossa receptividade.

 Jñána mudrá, para meditação e respiratório (dedos indicador e polegar de cada mão tocam-se).

Este gesto conecta os pólos positivo e negativo represen­tados pelos dedos indicador e polegar de cada mão, pas­sando por eles uma corrente de baixa amperagem e apoi­ados sobre os chakras dos joelhos, que são secundários.

 

Átmam mudrá, para respiratório e mantra (as mãos formam um vórtice diante do swádhisthána chakra);

Este selo tem um efeito semelhante ao anterior, só que agora com os dez dedos envolvidos, formando o circuito de alta amperagem, e localizado diante de um chakra prin­cipal. Cria um empuxo que ascensiona a energia sexual coluna acima.

Prônam mudrá, para mantra e ásana (palmas das mãos unidas à frente do peito).

Nesta senha, a mão de polaridade positiva se espalma na de polaridade negativa, fechando um importante circuito eletromagnético que faz circular a energia dentro do próprio corpo e recarregá-lo, especialmente se executado durante ou após os mantras. Nos ásanas, tende a propor­cionar mais senso de equilíbrio e por isso mesmo é mais utilizado nos ásanas de apoio num só pé.

 Trimurti mudrá, para ásana (os dedos indicadores e polegares for­mando um triângulo).

Este mudrá é simbólico e representa a trimurti hindu, Brahmá, Vishnu e Shiva. Por ter poucos efeitos, é mais utilizado como suporte em movimentação de braços du­rante a execução de ásanas.

Saiba mais consultando o livro Tratado de Yôga.

Esta entrada foi publicada em Técnicas, Textos. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>