Repressão emocional

Imagine que você foi agredido verbalmente. Porém, você é uma pessoa do bem, uma pessoa boa e consciente dos seus atos… por isso, pensa “Não vou me afetar, vou me controlar”. Essa repressão interna é uma forma de reagir, mas dificilmente será a melhor das formas. Você pensa “eu não vou me afetar”. Mas já se afetou. O sangue já fervilhou, as pernas estão bambas de ódio e a respiração está acelerada. Adianta fingir que é uma pessoa civilizada? Você foi agredido e tenta lidar com isso contendo suas emoções, afinal, você se enxerga como um ser humano evoluído. No entanto, bastam mais alguns momentos de emoções reprimidas e, de repente, explode um acesso de fúria. Fúria incontrolável. Talvez fale bobagens, coisas que jamais diria se estivesse em sã consciência. Ou talvez cultive atitudes vergonhosas, reagindo com pequenas indiretas, fazendo cara feia e tentando de uma forma mais velada “dar o troco”. Caso não faça nada disso e continue se reprimindo, talvez você ainda caia na cilada da depressão, ou desenvolva algum tipo de doença física.

Em vez de conter suas emoções, reaja na hora da própria agressão, instantaneamente. O bom humor nesses momentos é excelente. Faça uma piada com o agressor e exponha a situação ao ridículo. Certa vez, uma professora do ensino fundamental instruiu seus pequenos alunos a fazerem o exercício de classe. Uma das crianças não gostou da tarefa e, de maneira muito mal educada, mandou a professora tomar no cu. No mesmo instante, a mestra respondeu com um sorriso carinhoso “Não, Joãozinho. Primeiro faz-se o dever, DEPOIS o prazer!”. Foi a vitória da sagacidade e todos os coleguinhas de classe deram risada.

As emoções são como rios que oferecem extrema pressão quando barrados. Muitos profissionais no ambiente de trabalho engolem seus sentimentos por dias a fio e, consequentemente, dão vexame em reuniões, gritando e falando impropérios para liberar a barragem de emoções acumuladas. Por vezes, esses mesmos profissionais mostram de modo indireto sua frustração constante, desgastando o ambiente de trabalho, sabotando colegas e gerando mal estar. Não raro, essas emoções arrolhadas acabam por aflorar na psique e no corpo do indivíduo, criando deprimidos e doentes nos mais diferentes graus. Dar vazão aos sentimentos é como conduzir as águas de um rio: é possível administrar sua força, jamais barra-la por completo. Caso fique difícil transformar toda a tralha emocional em bom humor, ainda é possível utilizar a força de uma tristeza, por exemplo, para criar literatura, arte, ou qualquer outra forma de produção. A emoção é uma energia que com alguma frequência é direcionada para a produtividade. Melhor emocionalizar-se e trabalhar mais, do que ficar sentado no sofá, remoendo os próprios sentimentos. As emoções podem ser direcionadas para o trabalho, para o exercício físico, para o sexo e para muitas outras alternativas. Todas essas alternativas são melhores que a repressão.

Como prioridade, sempre procure a resposta elegante e rápida. Pode parecer difícil no início. Mas o processo é idêntico a qualquer tipo de habilidade. O treino constante leva à evolução. Treine com seu cônjuge, com seu colega de trabalho, com seus amigos e familiares. Você vai contribuir para a qualidade de vida das pessoas que te cercam e, principalmente, vai melhorar a sua própria qualidade de vida. Treine a elegância. Você merece.

Marcos Eiji

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